Prova de Contacto
Fotografias do dia-a-dia






29.2.04

Se o céu azul cai sobre a cidade,
se avalanches de nuvens brancas se rompem nos telhados,
é porque os velhos e absurdos paradoxos se desmontam,
caducos, inúteis,
podres,
os teus olhos já não reflectem a cidade triste que sobe e desce colinas no ritmo furioso do quotidiano,
ficou um olhar expectante seguindo os eléctricos e o voo dos pombos, de um qualquer banco de jardim.

Escrito por Rita | 2/29/2004 07:27:00 da tarde |




24.2.04

Junto à janela, na manhã, espreitamos um casal de pombos sobre o telhado, passeiam-se nas telhas em danças ondulantes. A vizinha do prédio em frente sai à varanda experimentando a ondulação da mesma dança de todos os domingos, sob o olhar de uma criança atrás do vidro. A luz da manhã amadurece em luz da tarde, dourada, e as nuvens passam agora generosas de laranja, brancas, cheias. A nossa casa escurece enquanto se acendem as ruas, olhamos o prédio em frente de antenas caídas, é horas dos pombos se refugiarem nos beirais.

Escrito por Rita | 2/24/2004 11:16:00 da manhã |




25.1.04

Há água em Marte, e na Terra gota a gota, segundo a segundo, grão a grão de areia a cair por entre os dedos, há pessoas às voltas, no mesmo sítio, olho em pormenor as fotografias das rochas, da areia de Marte, aquele céu vermelho, o outro Mundo; na Terra os saldos, os meus pulsos cheios de pulseiras, a perda de tempo nas lojas, cheiíssimas de pessoas como eu, às voltas, a desmanchar nós de cabelos, a perder tempo, a acordar com o despertador, com o duche, com o café, a caminho dos mesmos lugares, das mesmas pessoas, das mesmas tarefas, dos mesmos desafios, e a música dos Sigur Rós por todo o lado, fecho os olhos e só vejo a casa encostada à rocha, o saco soprado pelo vento, o desprendimento da morte, das despedidas, do definitivo, e eu às voltas no mesmo sítio, com a minha preguiça, a estupidez dos dias, da vida a preto e branco, às voltas, e encontro outras pessoas como eu, no instante de duração de uma vida e nada disso me consola, por mais voltas que dê a culpa é toda minha.

Escrito por Rita | 1/25/2004 10:05:00 da tarde |




16.1.04

Arrumo as tuas flores e o passarinho amarelo enquanto respiramos fundo antes do mergulho, mas só tu mergulhas. Suavemente afastas-te forte e doce como sempre foste. Na minha manhã e na tua noite despeço-me de ti.

Escrito por Rita | 1/16/2004 10:24:00 da manhã |




2.1.04

No circo do amor, há focos de luz sobre os gestos. Espreita-se o cansaço, os movimentos interrompidos, o som das palavras descoordenado com o movimento dos lábios. Amparam-se as quedas com chão almofadado, cozem-se os cortes com linha indolor, esquecem-se as mentiras, lambem-se as feridas. Dizem que é por amor esse perdão sem limites, esta queda sem dor. Ainda assim, sacodes a capa, afastas a mão sobre o ombro, acedes a luz sobre o segredo, a fogueira, toda a floresta a arder, pelas silvas, por dentro dos golpes fundos sem amparo, a rasgar, a rasgar.

Escrito por Rita | 1/02/2004 04:52:00 da tarde |




30.12.03

O futuro à distância de uma contagem decrescente. Sublima-se, exalta-se em festa o futuro, de peito cheio de alegria da antecipação, porque no tempo futuro tudo cabe; e como nada se controla no futuro, acredita-se de olhos fechados que tudo será melhor, acredita-se na movimentação da força dos céus, das estrelas e no poder da terra, e para trás das costas fica o passado e também presente, um tempo incómodo, o único onde podemos jogar. E o futuro invade tudo, é um tempo insidioso, é o tempo dos sonhos, das ilusões, o tempo que desresponsabiliza o presente.

Escrito por Rita | 12/30/2003 12:05:00 da tarde |




26.12.03

E agora uma história verídica para encerrar esta quadra Natalícia

Um homem perdido de bêbado provoca um acidente em cadeia no dia de Natal. Famílias inteiras em fúria abandonam os seus carros amachucados em direcção ao homem. Alguém ainda ouve o homem gritar "é Natal, é Natal, parem, é Natal".


Escrito por Rita | 12/26/2003 03:08:00 da tarde |




15.12.03

Dentro da tua cabeça o cão investe com ferocidade contra a grade, de olhos fixos na carne atrás da rede metálica.
Uns metros ao lado, há uma passagem do tamanho de um cão, um buraco na rede para a carne cobiçada, mas já um túnel invisível ligou o cão e a carne e todo o contexto se apagou.

Escrito por Rita | 12/15/2003 09:23:00 da tarde |




11.12.03

Sobre a bancada desfilam copos de vidro fosco, vinho dentro do copo, a faca a cortar os legumes, a textura dos vegetais, as gotas presas nas folhas da alface, enquanto o vinho desce lentamente pela garganta. Ao lume borbulha a água agitando os legumes, levanta-se um ligeiro vapor sobre a panela. Mergulho a colher de pau, sinto a pressão da densidade, o espesso líquido exala o aroma do cozinhado. Na mesa, sobre a toalha, os pratos sobrepostos e os copos coloridos translúcidos atravessados pela luz do candeeiro. Espreito as maças no forno, polvilhadas de cristais de açúcar sobre a pele. Toca a campainha, chegaram finalmente.

Escrito por Rita | 12/11/2003 10:45:00 da tarde |




8.12.03

Detalhas o esquecimento, recordas, a luz bate nas palavras, os teus olhos e o teu corpo projectam-se na direcção desse pensamento. Olhas um mar metálico a perder de vista, ao longe crescem ondas de rodas dentadas em movimento ondulatório, o vento sopra sobre a superfície, sibilante, voa rente, bate-te na cara. E de olhos abertos dentro das ideias, encontras abraços, pele quente, beijos ternos.

Escrito por Rita | 12/08/2003 11:47:00 da manhã |




30.11.03

Há dias presos ao manuseio minucioso de sistemas intrincados de portas e comportas,
chaves rodam na fechadura,
há outros ainda de vento a fluir por todas as divisões da casa, com correntes de ar a formar-se, as tempestades a tomar forma.
Sou o espírito sobre as mãos das quatro mulheres sentadas à mesa, quatro irmãs,
passeiam-se por entre ideias, sorrisos, olhares vibrantes,
e o tempo, essa roda gigante, a deixar atrás de si o esquecimento,
mãos e olhos de irmãs tocam-se aquém da história,
esquecidas do passado umas das outras.

Escrito por Rita | 11/30/2003 10:55:00 da manhã |




28.11.03

No negro do asfalto molhado vidrado de água, a paleta de luzes, umas brancas, outras vermelhas, luzes difusas da cidade nos prédios acesos, nos carros como focos a iluminar ao longo da estrada, nos candeeiros pendentes sobre as pessoas.
Em espelho no asfalto preto, a noite de muitas pressas.

Escrito por Rita | 11/28/2003 12:01:00 da manhã |




26.11.03

Olho a natureza incerta das gotas de chuva,
primeiro são água em suspensão, inteiras,
depois as gotas imaginam-se pedras na proximidade do chão,
na incerteza de uma nova queda.

Escrito por Rita | 11/26/2003 12:10:00 da manhã |




24.11.03

E simultaneamente a pessoa é
o que pensa, o que diz
e o que faz,

de livre vontade,

e o trivial,
como comer, andar, sorrir
ganha qualidade dramática,

vem do próprio,
como um homem frenético
sem freio,

acrescenta-se algo sem alterar nada,

esperam-se palavras nunca ditas, soluções inesperadas,
mãos de artífices a trabalhar a matriz,

e sem repararmos pomos em nós coisas dos outros,
aliviamo-nos dessa personagem.

Escrito por Rita | 11/24/2003 11:04:00 da tarde |




20.11.03

É nesse mergulho surpreendente na verdade que desfolhas os dias, nas águas cristalinas sopradas pelo vento frio. À transparência dos dias límpidos caem imagens de carne e osso como gotas de chuva sobre ti, são imagens pesadas, atiradas do espelho. Caem aqui e ali, sobre as mãos, nos pés, fustigam-te como ventos ciclónicos.

Escrito por Rita | 11/20/2003 11:07:00 da manhã |




14.11.03

Cubos mentais elevam-se em pedras de cantaria rectangulares, calcárias, imaginadas, e projectam-se contra a parede em rígidas formas, linhas rectas desenhadas a régua e esquadro, levantadas do plano até à terceira dimensão, em projecção, no ar,
e simultaneamente, tudo cabe no cubo, até o próprio, a forma abre-se por dentro e na aproximação à parede dá a descobrir um buraco negro.
O cubo engole o muro e desaparece em si mesmo.

Escrito por Rita | 11/14/2003 10:16:00 da tarde |




10.11.03

Entre as paredes folhadas a silêncios e monólogos de loucura, os olhos de criança ampliavam espaços, engrandeciam os móveis de madeira, os recantos da arrecadação, os olhos que dentro dos quadros a seguiam, as fotografias antigas e a rádio a tocar, o pardal amarelo a chilrrear na gaiola tratado a pão-de-ló e grelos, e que um dia fugiu, o sol a entrar radioso, o cheiro da roupa lavada a sair da máquina, as molas de madeira a prender a roupa no estendal, o galo de metal no cimo da torre a apontar o vento. Sucediam-se os dias e entre as mãos, dentro dos braços, por entre os cabelos castanhos, desenhavam-se mundos perfeitos, fábulas infantis, desejos, corridas para além do corredor, promessas à única boneca companheira nas viagens, no espelho, dentro do guarda-fatos, atrás da porta, nas núvens, no pátio, no azul do céu.

Escrito por Rita | 11/10/2003 12:59:00 da manhã |




6.11.03

As letras do teclado aproximam-se da ponta dos dedos,
o auscultador do telefone acerca-se da mão e do outro lado uma voz induz o movimento dos lábios,
a caneta como um íman acomoda-se entre os dedos e encosta o bico na folha,
a cadeira solícita ajusta-se ao corpo,
o gabinete abre as portas,
por entre os dentes brancos bem lavados flúem concordâncias atenciosas,
cordialmente, respeitosamente, com os melhores cumprimentos,
um dossier desfila pelo corredor segurando uma pessoa pelo braço,
sucedem-se apertos de mão bem oleados,
bons dias com boa projecção de voz,
dias perfeitos,
pormenores embutidos.

Escrito por Rita | 11/06/2003 10:23:00 da tarde |




3.11.03

Debaixo do rimel a pesar nas pestanas e do verniz vermelho a cobrir as unhas, segue um enredo esquivo, diário, penoso, uma realidade paralela, retocada, precária e simultaneamente cristalina num olhar em fuga, num tremor de voz. E a verdade crua e a rudeza do argumento cirúrgico? Já é noite, as lojas fecharam, dentro do casaco comprido os passos estendem-se em quilómetros, fosse a rua mais comprida e a noite mais escura.

Escrito por Rita | 11/03/2003 11:26:00 da tarde |




1.11.03


Manhã cedo de Sábado, espreito a varanda, no parapeito estão suspensas pequenas gotas de chuva, o vaso que plantei há um mês é só terra e ervas daninhas. Na rua passam pessoas com os seus sacos de compras e crianças pela mão. Finalmente um dia luminoso, é como acordar depois da destruição da tempestade. Dormes sem teres notado que me levantei. Só espero que as túlipas nasçam.

Escrito por Rita | 11/01/2003 06:13:00 da tarde |




29.10.03

Hoje estava eu a abrir a minha correspondência e eis que me vejo com um folheto de fundo azul celeste na mão com o título insólito de Empresas felizes. Um desdobrável promocional de um seminário. "O que é a felicidade?" pergunta o formador, Prof Amândio Vaz Velho, lançando o desafio, e remata "Porque é que as pessoas com carreiras profissionais mais bem sucedidas vivem mais anos?"
Deixo aqui um excerto retirado do folheto, uma versão corporativista da Igreja do Reino de Deus, leia-se tomem-lá-a-alegria-no-trabalho-e-passem-para-cá-a-dízima:
Existem pessoas mais felizes e pessoas menos felizes. Existem empresas mais felizes e empresas menos felizes. As empresas influenciam as pessoas e as pessoas influenciam as empresas. Se as empresas não tratarem da felicidade dos trabalhadores, os trabalhadores vão "tratar" dos lucros das empresas. E que mais pode um lider empresarial ambicionar do que dar felicidade a dezenas ou até mesmo milhares de pessoas, ou seus trabalhadores, no fundo, à sociedade?

Escrito por Rita | 10/29/2003 01:13:00 da manhã |




28.10.03

Informamos que para a sua segurança foi instalado um sistema video de vigilância, uma equipa bem treinada de seguranças vigiam as câmaras dispersas pelo edifício zzzoiguezzzzz assegure as suas poupanças, salvaguarde o seu futuro, faça um PPRE quanto antes zzzoiggggzzzzz proteja o seu filho contra virus e bactérias, compre um sabonete asséptico zzzoiggggzzzzz destrói qualquer marca de sujidade, o algodão não engana, álcool puro a desinfectar paredes e chão zzzoiggggzzzzz proteja os seus bens zzzoiggggzzzzz não fale com estranhos zzzoiggggzzzzz não aceite nada de ninguém, esteja atento à sua bebida zzzoiggggzzzzz um canudo, uma casa um carro um casamento, filhos zzzoiggggzzzzz dedicação à carreira zzzoiggggzzzzz seja feliz zzzoiggggzzzzz vá lá, faça a vontade à sua mulher, compre uma casa maior zzzoigggzzz jogue pelo seguro, faça um seguro contra todos os riscos zzzoiggggzzzzz aos vinte anos muito tempo e pouco dinheiro, aos trinta mais dinheiro e menos tempo, aos quarenta muito dinheiro e pouco tempo, aos sessenta continua sem tempo, aos setenta usufrua da poupança vida Zoiggggzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzuuuuuuuuuuuuuuuu Pum

Escrito por Rita | 10/28/2003 01:09:00 da manhã |




25.10.03

Na rua onde vivo sobrevive um homem magro, de idade indefinida, calcorreia a calçada em passos bamboleantes de pacote de vinho na mão. Um destroço pela rua, uma sombra, uma imagem tremida. Há milhentas pessoas em dificuldades, mas este abismo é percorrido até ao fundo, pelo menos é assim que leio essa imagem, que filtro aqueles olhos.

Escrito por Rita | 10/25/2003 11:20:00 da tarde |




23.10.03

Hoje confessaste o luto do tempo perdido, lamentaste o irrecuperável; por um momento fugaz parei o tempo, acertei-o, redimensionei-o para segundos, não quero aceitar o futuro como álibi para um presente desperdiçado.

Escrito por Rita | 10/23/2003 11:23:00 da tarde |




22.10.03

Chamo o elevador,
encontro um colega,
vinha com o elevador, não o chamei, foi um acaso,
uma circunstância sem importância, uma conversa de circunstância, um encontro casual, uma troca de palavras, uns dedos de conversa cedidos despreocupadamente,
palavras atiradas ao ar, ao chão, no lixo,
no elevador,
entre sorrisos simpáticos, apáticos,
a meteorologia, o fim-de-semana, é Segunda-feira, é terrível, pois, é terrível,
olho o relógio, o tempo passa, mais uma circunstância sem importância,
mais uma pilha de palavras dispensadas ao desbarato, mas não tem importância é só uma conversa de circunstância,
a porta abre,
até amanhã.

Escrito por Rita | 10/22/2003 07:08:00 da tarde |




19.10.03

São pequenos quadrados de luz as janelas dos prédios, um após outro vão desaparecendo no fundo da noite, o branco dá lugar ao negro da luz apagada, e no silêncio imagino solilóquios intermináves, vários dentro de cada quadrado, dos vultos que vi atravessar o feixe de luz vindo da janela, agora deitados na cama, recostados no sofá, com uma caneca entre as mãos, com os dedos no cabelo de uma criança que dorme.
Em tempo de desencontros, há palavras atiradas, perguntas inquietas sem resposta, abraços apertados em braços pendentes, olhares incrédulos, esperas intermináveis, silêncios forçados e tudo à distância de uma porta fechada, de um sorriso, de um abraço sentido.
Nos subterrâneos da cidade desenha-se uma nova linguagem, reconheço-a nas frases soltas escritas nos muros da cidade.

Escrito por Rita | 10/19/2003 05:55:00 da tarde |




18.10.03

Encontro-te com as mãos apoiadas na mesa, abertas, ao lado de palavras cuidadosamente empilhadas, cosidas entre si, costuradas na pele.
Quando as mãos se levantam do tampo de madeira as palavras seguem-nas e acendem um halo a contornar os dedos.
Imagino-te sozinho no escuro com essas mãos luminosas e de olhos abertos surpresos, suspensos nalguma ideia. Uma multidão de anjos e demónios esvoaçantes espreita pela tua janela.

Escrito por Rita | 10/18/2003 12:29:00 da manhã |




15.10.03

Não há como negar o meu instinto voyeurista, gosto de esplanadas de cafés, de observar gestos, recortar retratos de pessoas sentadas nas mesas. Faço enquadramentos de mãos pousadas, pernas cruzadas, fios de fumo. Espreito retalhos de conversas, palavras soltas.
Na mesa em frente um homem bebe um café, visto outra pele, sou eu quem levanta a chávena até aos lábios, olho por esses olhos. Vejo-me sentada numa mesa. O homem que bebe o café fixa a mulher na mesa em frente.

Escrito por Rita | 10/15/2003 10:32:00 da tarde |




14.10.03

Abro caminho pela chuva,
pelo corpo adentro,
sigo as veias, atravesso o coração, passo pelos rins,
misturo-me com os neurónios, ouço as sinapses,
as gotas esmagam-se na minha cara, perdem a forma,
escorrem ao longo dos cabelos até pingar,
pingos na continuação dos cabelos, em fios de água,
são dias cinza descompassados.
O Outono primeiro.

Escrito por Rita | 10/14/2003 11:47:00 da tarde |




13.10.03

O autocarro abre as portas e alguém pisa a calçada,
ao longo do passeio os passos do passado sobrepõem-se aos do presente,
os pés caminham dentro dos seus sapatos e nos sapatos dos outros, somando movimentos,
sobre a multidão levanta-se uma nuvem, um enxame,
pequenos destroços saem das cabeças e entram noutros crânios desatentos, vasculham e saem de novo,
e ainda assim, as pessoas continuam a caminhar além da rua, da cidade, do Mundo,
ninguém dá pela interferência,
seguem lado a lado, paralelas entre si.

Escrito por Rita | 10/13/2003 10:04:00 da tarde |



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